Foi assim.

3 02 2010

Foi tudo e mais um pouco. Foi cidade, foi praia, foi montanha. Foi praça, foi vulcão, foi pinguim. Foi descanço, foi cansaço, foi pegada. Foi desencontro, reencontro, primeiro encontro. Foi calor, foi frio. Foi avião, foi táxi, foi metrô e foi ônibus também. Foi funicular, teleférico, barco, foi van. Foi a pé. Foi economia, foi gastança. Foi espanhol, foi português, foi inglês. Foi chileno, brasileiro, carioca. Foi mala e foi mochila. Foi hotel e foi albergue. Foi chachorro, foi llama. Foi pisco, foi vinho, foi água de 2 litros, foi coca. Foi risada. Foi muita risada. Foi lembrar, foi esquecer. Foi devagar e depois foi rápido.

Foi assim, tudo e mais um pouco, a minha viagem pro Chile.

Vulcão Osorno





Vacaciones

15 01 2010

Pessoas queridas que passam por aqui, hoje entro em liberdade condicional pelo período de 15 lindos dias.

Vou dar uma causada em terras chilenas e, portanto, não devo dar as caras por aqui até o retorno.

Besos, no me llame!





Abraça…

14 01 2010

Nessa época de ano novo as equipes de reportagem não sabem o que fazer para tentar derreter nossos corações e nos enfiar no clima “a vida é bela”. O Fantástico apelou pra uma ideia mais velha que orkut e resgatou o movimento “Free Hugs”, ou Abraços Grátis. Minha mãe, vendo isso comentou que achava besta e eu, pra ser honesta, não achei nada de muito inteligente também. Não pelo “Free Hugs” mas por ser uma ideia bem requentada já. Mas com o passar da reportagem uma coisa me intrigou. Algumas capitais foram filmadas e as pessoas que recebiam os abraços achavam engraçado, inusitado. Ok. Mas em São Paulo, algumas pessoas choraram. Cho-ra-ram. Aquele abraço fez o dia dessas pessoas. Fiquei pensando sobre isso. Aqui em São Paulo é tudo muito rápido, muito mal humorado, impessoal. As pessoas não se encostam, não se olham, com medo de serem mal interpretadas. “Tá olhando o que?” “Ih, tá querendo me roubar” “Tá me assediando”.

O paulistano não sabe mais a temperatura do outro. Desaprendeu a abraçar. Estamos no cúmulo da carência coletiva. Quando você vê alguém chorando em plena estação da Sé porque foi abraçado por um desconhecido, você percebe que não é a cidade que é de pedra, mas as pessoas. Ou estão tentando sê-lo. Elas que estão se pintando se cinza e se fundindo com a paisagem. Então se forçando a fazer parte do que a cidade tem de inanimado. Mas nós não somos assim. Cai a água e lá estamos nós, feitos de carne e osso. A tinta escorre e não somos cinza, somos coloridos. Não somos inanimados. Temos vontades, desejos, frustrações, dores. Somos vivos.  Vivos e carentes, muito carentes.





Perfeitos demais para ser verdade.

12 01 2010

Nós somos perfeitos demais para ser verdade. Rimos com o outro, rimos do outro, rimos do outro rindo de nós. Pensamos igual. Completamos as frases um do outro. Queremos as mesmas coisas da vida.  Sempre pedimos e ouvimos a opinião do outro. Temos muitas opiniões iguais. Temos algumas opiniões diferentes. Temos companherismo. Respeito. Temos amigos em comum. Temos amigos diferentes. Curtimos os mesmo programas. Temos química. Nós somos simplesmente perfeitos demais para ser verdade!

Ah, deve ser por isso que nós não somos verdade…não somos um “nós” de verdade.





Da série “Piores cantadas do mundo”:

10 01 2010

Indo para a salsa com uma amiga, um motoqueiro passa na rua e solta uma verdadeira pérola do romantismo pós-moderno:

- Pode falar o que for, mas eu prefiro a gordinha. Muito mais gata!

Obrigada pelo elogio, mas, porra, você não podia simplesmente ter dito que preferia a de preto?  Que cantada é essa? Primeiro você acaba comigo pra só depois elogiar?

Ah, os homens! Sempre sabem dizer exatamente o que uma mulher quer ouvir… (NOT!)





Limbo

6 01 2010

Não me leve a mal! Eu adoro certas surpresas da vida. Aquilo que de tão impensável, inesperado, te deixa sem fôlego, sem palavras, com a cabeça toda embaralhada. No fundo eu acho que eu vivo por esses momentos raros. Mas passado esse ato de insanidade deliciosa, o que vem depois é o que me mata. É o limbo. Aquele meio termo onde a loucura já passou, mas as coisas ainda não voltaram bem ao normal. Porque pensa: se o que existe entre a loucura e a normalidade nem nome tem, não pode mesmo ser nada bom.

Não sei viver no caminho entre minha segurança e o me jogar. Prefiro estar sempre em um dos dois. Pois, se vivo pelos momentos de loucura, igualmente, não sei viver sem minha normalidade.





Eu não sei pedir.

4 01 2010

Eu sempre odiei pedir as coisas. Odeio pedir coisa emprestada ou favores que eu posso eu mesma fazer. Sabe aquela pessoa que vive te perguntando como se escreve tal palavra? Não sou eu. Eu sou aquela que vai no google ou no dicionário ver antes de ir importunar alguém. Eu sou alguém que comecei a ganhar minha graninha aos 14 anos para não ter que pedir pro pai. Às vezes prefiro desistir de ir em um lugar pra não ter que pedir carona. Não peço a ninguém pra ir no cinema comigo. Eu vou sozinha e amo. Quando rezo, não peço nada além de saúde. Eu costumo agradecer, não pedir.

Tenho o lema de que ao invés de pedir, o melhor é fazer o esforço de conseguir. Não ficar esperando cair do céu. Com isso me tornei uma pessoa distante de exoterismos. Não faço simpatias, não pulo ondinhas, não trabalho a tal lei da atração. Simplesmente não peço. Eu não sei pedir. Mas nessa passagem de ano, percebi que certas coisas simplesmentes não podem ser conquistadas pelos meios racionais. Bem que eu tentei, mas algumas coisas não podem ser conquistadas através de inteligência, estratégia, análise. Tentei de tudo  e me vejo sempre no quase. Não tão perto o suficiente para dizer que consegui, mas também não longe o suficiente para me dar por vencida, para desistir. Me peguei pensando que algumas coisas estão simplemsente longe do meu alcance. Para conseguí-las não consigo simplesmente depender só de mim, como estou tão acostumada. Então, resovi fazer a única coisa que eu ainda não tentei: pedir. Voltei a exercitar o desapego à independência e comecei a simplesmente pedir com toda a força que minha mente fora de forma consegue. Peço todas as noites. Pedi pulando ondas. Pedi colocando a roupa do ano novo. Peço em silêncio várias vezes por dia.

Me rendo…eu não consegui por mim mesma. Por isso eu peço. E peço até conseguir.





2009/2010

28 12 2009

Esse ano tô com preguiça de fazer o balanço de 2009 e com medo de fazer a lista de metas para 2009. O primeiro porque sei que a balança vai ficar meio no meio e o segundo porque as mudanças que quero operar são grandes demais.

Se por um lado fiz minha inesquecível viagem para a Argentina e me joguei na minha pós-graduação, por outro parei de dançar, continuo no mesmo trabalho e, novamente,  não vou beijar a boca de ninguém à meia noite.

Então o que eu quero pra 2010? Repaginada total em duas das áreas mais dificeis de mudar: emprego e coração. Porque mais difíceis? Porque não dependem só de mim. No que depende eu confio que consigo fazer acontecer. Mas a outra parte da equação sempre me deixa na mão…

Então pra 2010 eu desejo, sorte, muita sorte!





Mulher mais que perfeita.

17 12 2009

Não me orgulho, mas admito que fui criada dentro do paradigma da “mulher mais que perfeita”. Eu não cheiro a suor nem secreções, ou o mais próximo disso que meu perfume, lencinhos umedecidos e desodorante, muito desodorante me permitam. Não fico com comida no dente, e agora não fico com comida no aparelho também. Não sento em cima de sujeira nenhuma, não tenho cutículas, espinhas, cabelo “ruim”. Nasci com a sobrancelha sem um pelo fora do lugar. Fora ela, nem tenho pelos. Não tenho pele seca. Não tenho nariz grande. Não tenho calcinha bege. Em um ano e meio não terei dentes tortos. Não tenho cera no ouvido. Não tenho caca no nariz.

As únicas coisas que me permito ter são olheiras casuais quando não tenho tempo para passar o corretivo e alguns quilinhos a mais que pesam bem mais na minha consciência que no meu corpo. Inclusive por culpa deles que eu tento com tanta força chegar nessa “mulher mais que perfeita” que enfiaram na minha cabeça que eu tenho que ser e da qual eu mesma não consigo me libertar.

Perco tanto tempo e energia tentando fingir que não tenho nenhum desses “defeitos” acima (alguns chamariam de características do corpo humano), que quando chego no banheiro da agência e encontro aquele cheiro de cocô que outra menina deixou pra trás eu quero simplesmente morrer. Faço meu xixi rapidinho e saio correndo! Vai que alguém entra ali e acha que fui eu quem deixou aquele cheiro??

Afinal, tá tudo mundo cansado de saber: mulher mais que perfeita não caga. E também não fala palavras feias…





16 12 2009

Tenho cá para mim que o ser humano não tem estrutura para aguentar a felicidade. Não em altos graus pelo menos. O contrate entre o momento em que se consegue o que se deseja e o momento em que isso passa é desconcertante. Fisica e emocionalmente destrutivo. Está tudo bem…tudo na paz. De repenete, não mais que de repente, você pisca e está ali, vivendo a cena que você mesma criou tantas vezes na própria cabeça. Só que agora é de verdade. Um misto de emoções te deixa sem palavras (não que elas sejam necessárias de qualquer forma) e uma vontade de chorar vem na mesma intensidade que a vontade de gargalhar descontroladamente. E tão rápido e repentino como veio, seu desejo se vai. Um vazio toma o seu lugar e o que tava bom, na paz, vira algo insuportável. Afinal, o que é o bom, a paz, perto da loucura da felicidade extrema? Pobres bom e  paz, não chegam nem aos pés. Parecem tão obsoletos, insignificantes. Todo o resto perde feio comparado com a felicidade extrema. E é assim que, sem a menor piedade, a felicidade extrema acaba com o ser humano, que simplesmente não sabe o caminho de volta uma vez que subiu ao céu. Assim ele cai e só Deus sabe se consegue se levantar um dia de novo.

Sofrer eu sei, tenho anos de prática…mas ser extremamente feliz, ainda não consegui aprender.